Nota Meteorológica SDC/SC 29/08 – Previsão Climática para a primavera de 2025

Elaborado em: 29 de agosto de 2025
Meteorologistas: Nicolle Reis e Caio Guerra
O próximo trimestre — setembro, outubro e novembro — corresponde majoritariamente ao período da primavera, estação que apresenta um regime de chuvas bastante diferente do inverno. Enquanto o inverno é a estação menos chuvosa do ano em Santa Catarina, a primavera costuma registrar volumes mais significativos de precipitação.
Setembro marca o início da primavera, com o aumento na frequência das chuvas, o que resulta em volumes maiores aos observados nos meses anteriores. Destaque para outubro, que normalmente é o mês de pico anual de precipitação no Grande Oeste. Isso ocorre devido ao intenso transporte de calor e umidade da região amazônica em direção ao sul do Brasil, o que favorece a ocorrência de tempestades frequentes na região. A Figura 1 ilustra o comportamento climatológico da precipitação entre os meses de setembro e novembro.

Figura 1: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) setembro, (b) outubro e (c) novembro. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
PREVISÃO
No 232º Fórum Climático Catarinense, realizado no dia 28 de agosto, foi discutida a previsão de consenso para os próximos meses, com a participação de meteorologistas de diversas instituições do estado de Santa Catarina. Estiveram presentes representantes da Secretaria de Proteção e Defesa Civil de SC, Epagri/Ciram, AlertaBlu, além de profissionais e pesquisadores de instituições de ensino como o IFSC e a UFSC.
Em relação à atuação do El Niño ou La Niña, o fenômeno segue inativo nos próximos meses (Figura 2), já que não atinge os parâmetros necessários para a sua configuração. Apesar disso, as águas mais frias do que o normal já podem impactar no regime de chuvas e temperaturas em SC, principalmente em outubro e novembro.
Em relação às chuvas, é esperado um comportamento normal para o mês de setembro. Assim, como o mês marca o início da primavera, as chuvas e temporais voltam a ficar mais frequentes em comparação ao período do inverno, mas com volumes próximos da média (Figura 1a).
Já em outubro e novembro, com a primavera estabelecida, o Oceano Pacífico Equatorial mais frio do que o normal tende a deixar a precipitação menos frequente do que se espera nesta época. Consequentemente, os volumes de chuva devem ficar abaixo da média climatológica, sobretudo no Grande Oeste catarinense.

Figura 2: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres. Fonte: Climate Prediction Center (CPC).
Em relação às temperaturas, a previsão indica valores próximos à normalidade, ou seja, com valores que começam a aumentar em comparação aos últimos meses, sobretudo no período da tarde. Durante as manhãs ainda são esperadas temperaturas amenas e não se descarta episódios de frio fora de época. No Grande Oeste, com períodos mais secos, pode haver dias com temperaturas mais elevadas do que o normal.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
De acordo com o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que abrange 29 anos de dados (1995-2019) e 5540 ocorrências de desastres, as ocorrências de chuvas mais intensas costumam se concentrar entre os meses de setembro e março (Figura 3).
No mês de setembro, em decorrência da mudança de estação e, consequentemente, tempestades mais frequentes, se observa um aumento considerável de ocorrências no estado (Figura 3), em relação aos meses de inverno.

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
As ocorrências associadas a alagamentos em setembro e outubro são mais do que o dobro do que os registros em julho e agosto (Figura 4). Em novembro começa a diminuir ligeiramente estas ocorrências, porém ainda apresentam valores significativos.

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por alagamentos. Fonte: UFSC, 2020.
O aumento na ocorrência de deslizamentos também fica evidente, muito por conta do retorno de chuvas mais intensas, apresentando valores bastante superiores nos meses de setembro e outubro. Em novembro, este número volta a diminuir (Figura 5).

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à movimentos de massa (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil recomenda que a população fique atenta em dias de frio intenso, redobrando os cuidados com crianças, idosos, moradores de rua e animais de estimação.
No caso de chuvas intensas, com alagamentos e enxurradas, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Na praia, não fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.
#DEFESACIVIL, SOMOS TODOS NÓS.