Estiagem agrava em Santa Catarina aponta Boletim hidrometeorológico

A edição do Boletim Hidrometeorológico Integrado, divulgada nesta quarta-feira, 02, indica agravamento generalizado das condições de estiagem em Santa Catarina. Os acumulados de chuva em agosto foram baixos na maior parte do Estado. Apenas em pontos do Litoral Norte é que a umidade transportada do oceano para a costa fez com que a chuva ficasse com valores acima dos 100 mm, com destaque para Joinville, onde choveu 160 mm. Nas demais regiões, no geral, a precipitação acumulada ficou abaixo dos 70 mm, com destaque para cidades do Meio Oeste, onde os acumulados ficaram entre 20 mm e 60 mm.

Com a confirmação da permanência da previsão de chuvas abaixo da média no longo prazo, a expectativa é de que os níveis dos rios não retornem à média histórica até o início de 2022. Essas condições seguem impactando com maior intensidade as regiões Oeste e Meio Oeste. Desse modo, verifica-se que a estiagem hidrológica tende a intensificar seus impactos e consequências para o restante deste ano.

Situação do abastecimento urbano

Entre os 295 municípios de Santa Catarina, 264 atualizaram a situação do abastecimento urbano junto às agências reguladoras. Desses, 150 estão em estado de normalidade do abastecimento, 83 em atenção, 27 em alerta e quatro em estado crítico. Isso representa um crescimento de municípios com algum tipo de comprometimento do abastecimento em comparação com o boletim anterior, divulgado em 18 de agosto, quando eram 70 municípios em estado de atenção, 18 em alerta e dois em estado crítico.

Conforme o secretário executivo do Meio Ambiente, Leonardo Porto Ferreira, a situação requer que se intensifique a atenção para o consumo consciente de água. Especialmente tendo em vista que a previsão é de manutenção das chuvas abaixo da média para o período pelo menos até o fim deste ano. “Vamos monitorar se essa previsão se confirmará, de qualquer forma, é fundamental um consumo consciente e a atenção de todos para vazamentos ou outras formas de desperdício”, explica.

Confira o Boletim Integrado na Íntegra:

Previsão

O período até o dia 8 de setembro deve ser marcado por chuva em Santa Catarina. A previsão indica a passagem de sistemas frontais que provocam chuva irregular pelo estado. Já no segundo período de setembro (entre os dias 9 e 16), a previsão indica chuva melhor distribuída. Com isso, os volumes de precipitação previstos variam de 20 mm a 90 mm, sendo esperados os maiores valores entre as regiões Oeste e Centro-Norte catarinense.

A previsão para setembro, outubro e novembro é de que a chuva se mantenha abaixo da normal climatológica entre o Extremo Oeste e o Meio Oeste, enquanto que no Litoral e planaltos fique próxima da média esperada para o período. “Estamos dando atenção especial ao monitoramento, em especial, às regiões mais afetadas, dentro do que nos compete enquanto entidade fiscalizadora, auxiliando assim os demais órgãos parceiros neste monitoramento da estiagem”, explica a Gerente de Fiscalização da Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc), Luiza Burgardt.

Apoio da Defesa Civil

O Boletim Integrado é de fundamental importância para o planejamento dos municípios em relação ao enfrentamento da estiagem. As informações são repassadas para os administradores municipais e das empresas de captação e distribuição de água para que as ações mitigatórias sejam desenvolvidas. O Documento está mostrando o agravamento generalizado das condições de estiagem e consequente piora do abastecimento em grande parte dos municípios catarinenses.

A Defesa Civil de Santa Catarina segue atuando no apoio técnico e na resposta aos municípios com o repasse de equipamento para suporte as comunidades atingidas. Até o momento foram entregues 580 reservatórios e 64 kits de transporte de água limpa, que amplia a capacidade de distribuição de água pelas prefeituras. Isso representa um investimento de R$ 2.781.419,50 do Governo do Estado.

A confirmação da previsão de chuvas abaixo da média demonstra que apenas no início de 2022 os rios devem voltar para a média histórica. Esta realidade reforça a necessidade de ações de médio e longo prazo para a busca de soluções para o fenômeno. “É de fundamental importância que projetos, como a construção de reservatórios e a proteção de nascentes, sejam desenvolvidos”, destacou o chefe da DCSC, David Busarello. Segundo ele, o uso consciente da água pela população também tem um papel fundamental para o enfrentamento do quadro.