Previsão Climática para o trimestre Fevereiro, Março e Abril de 2026
Gerência de Monitoramento e Alerta – GEMAL
Meteorologista: Caio Guerra e Nicolle Reis
Elaborado em: 30 de Janeiro de 2025
No 237º Fórum Climático Catarinense, realizado no dia 28 de janeiro, foi discutida a previsão de consenso para os próximos meses, com a participação de meteorologistas de diversas instituições do estado de Santa Catarina. Estiveram presentes representantes da Secretaria de Proteção e Defesa Civil de SC, Epagri/Ciram, AlertaBlu, além de profissionais e pesquisadores de instituições de ensino como o IFSC e a UFSC.
A partir do mês de fevereiro, observa-se uma tendência de aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial, indicando a transição de um cenário de La Niña para condições de neutralidade. Com isso, não é esperada a influência significativa desse fenômeno nos próximos meses.
Durante os meses de fevereiro e março, a previsão indica um padrão típico de verão, com a ocorrência de temporais, principalmente entre as tardes e noites. Os volumes de chuva previstos permanecem dentro da normalidade para o trimestre. As temperaturas devem se manter próximas ou ligeiramente acima da média climatológica do período.
Para o mês de abril, é esperada uma redução significativa das chuvas no estado, especialmente nas regiões litorâneas, em função do enfraquecimento da circulação marítima. As temperaturas já não devem atingir valores tão elevados quanto nos primeiros meses do ano, apresentando-se mais amenas. As primeiras ondas de frio mais intensas do ano são esperadas apenas a partir de meados de maio.

Figura 1: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres. Fonte: Climate Prediction Center (CPC).
COMPORTAMENTO NORMAL
O trimestre composto pelos meses de fevereiro, março e abril correspondem, climatologicamente, ao final do verão e ao início do outono em Santa Catarina, período marcado por variações típicas no regime de precipitação associadas à transição entre as estações.
Entre fevereiro e março, meses que ainda integram o verão, a circulação marítima apresenta-se mais intensa, caracterizando um dos períodos mais chuvosos do ano nas regiões litorâneas do estado. No Grande Oeste, os volumes de precipitação também são expressivos, embora inferiores aos observados no litoral.
O mês de abril marca o início do outono e, climatologicamente, é considerado o mês mais seco do ano em Santa Catarina. Os acumulados médios de precipitação ficam abaixo de 100 mm na maior parte do estado, refletindo a redução natural das chuvas nesse período.
Em relação às temperaturas, os meses de fevereiro e março são caracterizados por períodos de calor intenso, com máximas frequentemente acima dos 30 °C. A partir de abril, observa-se uma diminuição gradual das temperaturas, associada às primeiras incursões de massas de ar frio do ano.

Figura 2: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) fevereiro, (b) março e (c) abril. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
De acordo com o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne 29 anos de dados (1995–2019) e um total de 5.540 ocorrências de desastres, os episódios associados a chuvas mais intensas concentram-se predominantemente entre os meses de setembro e março (Figura 3).
O trimestre composto por fevereiro, março e abril reúne uma parcela expressiva das ocorrências registradas ao longo do ano. Observa-se, no entanto, uma redução gradual desses eventos ao longo do período, com destaque para o mês de abril, que apresenta uma diminuição significativa no número de ocorrências após três meses consecutivos de registros elevados.

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
As ocorrências associadas a vendavais nos meses de fevereiro, março e abril apresentam valores médios, ligeiramente superiores aos observados durante o inverno, mas significativamente inferiores aos registrados na primavera (Figura 4). Esse padrão está relacionado às tempestades de verão, que geralmente provocam vendavais mais localizados, porém intensos.

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.
A ocorrência de enxurradas é frequente entre fevereiro e abril, embora já apresente frequência menor do que em janeiro. A partir de abril, registram-se os menores valores do ano, padrão que se mantém até agosto. Os volumes mais elevados no início do ano estão associados principalmente às chuvas de verão, que trazem grandes quantidades de precipitação em curtos períodos, e ao padrão de intensificação da circulação marítima, que transporta significativa umidade em direção ao litoral catarinense (Figura 5).

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período é marcado por chuvas rápidas e que podem ser intensas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de alagamentos e enxurradas. Nestes casos, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.
#DEFESACIVIL, SOMOS TODOS NÓS.