Proteção e Defesa Civil de SC amplia estrutura de resposta para atendimento a animais domésticos em desastres
Grupo especializado passa a participar das reuniões do GRAC para fortalecer a integração entre instituições e apoiar municípios – Foto: Thiago Kaue/Secom
Em um cenário de crise, a proteção da vida envolve não apenas as pessoas, mas também os animais nativos e de estimação. Por isso, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina passou a contar com a participação do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD), como ouvinte, nas reuniões do Grupo de Ações Coordenadas (GRAC), ampliando a integração entre as instituições responsáveis pela resposta a eventos críticos no estado.
A primeira participação do grupo ocorreu durante o 2º Simulado Geral de Gestão de Desastres, realizado no último domingo (1º). No exercício, foram simulados cenários de deslizamentos, enchentes e outras ocorrências que exigiram o salvamento de animais.
Na prática, o grupo atuaria de forma técnica e coordenada na resposta a desastres, apoiando municípios que necessitem de suporte especializado para resgate, realocação e aplicação de protocolos sanitários em animais afetados. Dentro do GRAC, as atividades seriam integradas às da Defesa Civil e às das demais instituições envolvidas na operação.
Para o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, Mário Hildebrandt, a participação do grupo como ouvinte representa um passo importante para ampliar o planejamento e a integração entre os órgãos que atuam na gestão de desastres, considerando também a realidade das famílias que possuem pets. “Hoje, muitos lares têm animais que fazem parte da família. Estruturar essa pauta dentro do nosso sistema de resposta é uma forma de apoiar os municípios que ainda não possuem protocolos específicos para esse tipo de atendimento em situações de emergência”, afirmou.
“Essa integração é fundamental, inclusive, para ampliar a conscientização sobre a causa animal”, destacou Diego Barrey, médico veterinário do GRAD que participou do simulado. “Muitas famílias deixam de sair de áreas de risco por causa dos animais que permanecem nas residências. Nosso papel é garantir que eles também sejam atendidos. Ninguém fica para trás”.
O GRAD é composto por mais de 100 voluntários de diferentes estados brasileiros, entre médicos veterinários, zootecnistas, biólogos, engenheiros e outros profissionais capacitados para atuação em cenários de risco, explica Barrey.
Em Santa Catarina, o grupo já atuou em operações de resgate após inundações e deslizamentos no Vale do Itajaí e em municípios como Presidente Getúlio, Biguaçu, Taió e Governador Celso Ramos. Atualmente, boa parte dos integrantes estão mobilizados em Juiz de Fora (MG), em apoio às ocorrências registradas na região.
Como funciona o GRAC
O Grupo de Ações Coordenadas (GRAC) integra o Sistema de Defesa Civil e reúne mais de 40 representantes de instituições públicas e privadas nas esferas municipal, estadual e federal. Participam órgãos de segurança pública, emergências médicas, meio ambiente, assistência social, além de entidades comunitárias e representantes da iniciativa privada.
O objetivo é garantir atuação integrada nas decisões durante a fase de resposta a eventos extremos, além de promover planejamento e alinhamento em períodos de normalidade. O grupo realiza ao menos duas reuniões presenciais por ano, além de encontros virtuais sempre que há necessidade, como em situações de avisos meteorológicos com cenários críticos.
Para o atendimento aos animais, o GRAC já conta com a atuação da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), no manejo de animais de criação e no controle sanitário, além da Polícia Militar Ambiental e do Corpo de Bombeiros, que atuam no resgate de fauna silvestre em áreas afetadas.