Previsão Climática para o trimestre abril, maio e junho de 2026
Gerência de Monitoramento e Alerta – GEMAL
Meteorologista: Caio Guerra e Nicolle Reis
Elaborado em: 31 de Março de 2025
No 240º Fórum Climático Catarinense, realizado em 27 de março, foi discutida a previsão de consenso para os próximos meses em Santa Catarina, com a participação de meteorologistas de diversas instituições do estado. Estiveram presentes representantes da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de SC, da Epagri/Ciram e do AlertaBlu, além de profissionais e pesquisadores de instituições de ensino, como o IFSC e a UFSC.
Nos últimos meses, o fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS) manteve-se em condição de neutralidade, porém com o oceano mais resfriado, o que trouxe impactos negativos para a precipitação, sobretudo no Oeste catarinense. Essa condição de menor volume de chuva ainda deve persistir nos próximos meses, embora o padrão comece a se modificar ao longo do próximo semestre.
As previsões de longo prazo indicam um cenário de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com evolução entre o inverno e a primavera. Esse novo padrão tende a influenciar de forma mais significativa o clima no Sul do Brasil.
Em anos de El Niño, observa-se, de forma geral, aumento na frequência de eventos de tempo severo e na ocorrência de chuvas acima da média no Sul do Brasil, especialmente durante a primavera. Esse cenário eleva o risco de alagamentos, enxurradas e episódios de cheias, reforçando a importância do acompanhamento contínuo das atualizações climáticas.
Não é possível, com grande antecedência, determinar quais regiões do estado serão mais afetadas ou em quais períodos específicos os impactos serão mais significativos, devido às incertezas inerentes à previsão climática de longo prazo. Ainda assim, há um sinal consistente de aumento do risco de chuva para o Sul do Brasil como um todo, o que já indica a necessidade de preparação prévia. A definição mais precisa das áreas impactadas ocorre no curto prazo, ao longo do segundo semestre, quando a previsão do tempo passa a captar com maior detalhe a atuação de sistemas como frentes frias e ciclones, responsáveis por organizar e direcionar a precipitação sobre regiões específicas.
Os anos de El Niño também costumam apresentar temperaturas acima da média durante o inverno. Isso não implica ausência de frio, mas sim na ocorrência de episódios mais curtos. De modo geral, as incursões de ar frio tendem a ser menos persistentes, com frentes frias que promovem queda de temperatura por poucos dias, seguidas por rápido retorno do aquecimento.
Destaca-se que os efeitos do El Niño devem ser perceptíveis apenas no segundo semestre. Para os meses de abril e maio, os modelos climáticos indicam precipitação entre normal e abaixo da média, com menor frequência de chuva. Regiões que já enfrentam escassez hídrica tendem a manter esse cenário no curto prazo. A partir de junho, a tendência é de volumes de chuva mais próximos da climatologia, representando um aumento em relação aos meses anteriores.
Quanto às temperaturas, observa-se uma redução gradual, sobretudo nas mínimas. Ainda assim, a previsão indica valores médios acima do normal, prolongando o período de calor. A passagem de frentes frias está prevista ao longo do trimestre, mas as primeiras incursões de frio mais intenso devem ocorrer apenas a partir de meados de maio.

Figura 1: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres. Fonte: Climate Prediction Center (CPC).
COMPORTAMENTO NORMAL
O trimestre composto por abril, maio e junho corresponde, climatologicamente, majoritariamente ao outono em Santa Catarina. Esse período é marcado por mudanças graduais no regime de precipitação e temperatura, típicas de uma estação de transição.
Abril marca o início mais consolidado do outono e, climatologicamente, é considerado o mês mais seco do ano no estado. Os acumulados médios de precipitação ficam abaixo de 100 mm na maior parte do território catarinense, refletindo o enfraquecimento da circulação marítima e a diminuição das instabilidades.
Em maio, as instabilidades voltam a se intensificar gradualmente, com leve aumento nos volumes de chuva em relação a abril, associado à atuação mais frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. Esse cenário também favorece maior agitação marítima.
O mês de junho segue com a atuação de instabilidades, com volumes de chuva moderados, entre 100 e 150 mm no estado. Assim como em maio, esses sistemas estão associados, principalmente, à passagem de frentes frias e à formação de ciclones extratropicais típicos desta época do ano.
Quanto às temperaturas, a partir de abril e, principalmente, em maio, observa-se declínio gradual, em função das primeiras incursões de massas de ar frio mais significativas do ano. O mês de junho é um dos mais frios, sendo comuns episódios com temperaturas mínimas abaixo de 10°C, enquanto as máximas costumam permanecer próximas dos 20°C.

Figura 2: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) fevereiro, (b) março e (c) abril. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
De acordo com o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres, observa-se que os eventos associados a chuvas mais intensas concentram-se predominantemente entre os meses de setembro e março (Figura 3).
O trimestre composto por abril, maio e junho apresenta uma menor participação no total anual de ocorrências, embora ainda registre episódios relevantes, especialmente no mês de maio. Abril marca uma redução significativa no número de ocorrências, após três meses consecutivos com registros elevados. Em maio, observa-se uma nova elevação, seguida por outro período de diminuição no número de eventos.

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
As ocorrências associadas a vendavais nos meses de abril, maio e junho situam-se em níveis intermediários, ligeiramente superiores aos observados durante o inverno, porém significativamente inferiores aos registrados na primavera e no verão (Figura 4). Esses eventos estão, em geral, associados à atuação de ciclones e frentes frias, que favorecem a ocorrência de temporais capazes de provocar vendavais localizados, porém intensos.

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.
A ocorrência de enxurradas apresenta redução gradual entre abril e junho em relação ao verão, embora ainda mantenha valores significativos. A partir de maio, são observados os menores registros do ano, padrão que tende a persistir até o mês de agosto.

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas intensas.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
Em casos de chuva intensa, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.