Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina avança na criação de plataforma inédita de dados para gestão de riscos
Parceria com o Serviço Geológico do Brasil vai garantir cartas de suscetibilidade para todos os municípios catarinenses e integrar informações territoriais em um sistema inovador
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SPDC/SC) avançou, nesta semana, na parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB) para o desenvolvimento de uma plataforma de Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE). A proposta é integrar mapas e informações territoriais da Defesa Civil em um único ambiente, facilitando o trabalho técnico e ampliando o acesso a dados estratégicos para os municípios e para a população.
O projeto faz parte do Acordo de Parceria para Desenvolvimento e Inovação, firmado entre a SPDC/SC e o SGB em junho de 2025, com vigência até 2028. Esse mesmo acordo vem viabilizando, desde o ano passado, a elaboração das Cartas de Suscetibilidade a Movimentos de Massa e Inundações e das Cartas Geotécnicas de Aptidão à Urbanização, que estão sendo entregues aos municípios catarinenses. Ao todo, 180 cidades receberão os mapeamentos, completando a cobertura de todo o estado.
“Pela primeira vez na história, todos os municípios de Santa Catarina terão acesso às cartas de suscetibilidade e de aptidão à urbanização. Isso garante uma base técnica qualificada para o planejamento do território, fortalece a gestão de riscos e torna o estado mais preparado, protegido e resiliente frente aos desastres”, destaca o secretário da SPDC, Mário Hildebrandt.
Além das entregas cartográficas, o acordo prevê uma etapa de inovação, com a estruturação do Sistema de Informações Geográficas (SIG) e da Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE). Essa fase do projeto teve início nesta semana, com a visita à sede da Defesa Civil do geólogo Carlos Eduardo Mota, especialista em infraestrutura de dados espaciais do Serviço Geológico do Brasil.

O que é a plataforma de Infraestrutura de Dados Espaciais?
A nova plataforma funciona como um grande catálogo digital organizado de informações georreferenciadas, ou seja, dados que possuem localização no território. “Todos os mapeamentos, todas as cartas e produtos gerados ficarão organizados nesse ambiente, facilitando o acesso interno e, no futuro, também o acesso da população”, explica o geólogo da SPDC/SC, Matheus Klein Flach.
Ao longo dos anos, a ideia é reunir informações como registros de deslizamentos, áreas de inundação, além de integrar outras camadas de dados, como geologia, vegetação e informações ambientais, produzidas tanto pela própria Defesa Civil quanto por instituições parceiras.
“O primeiro passo é consolidar tudo isso: fazer um inventário dos dados, produzir metadados, organizar por local e por período. Isso vale não só para mapas, mas também para documentos, fotos, vídeos e outros materiais”, explica Carlos Eduardo Mota, do Serviço Geológico do Brasil.
Nesta etapa inicial, a Defesa Civil já instalou uma infraestrutura baseada em software livre, modelo adotado por instituições como a Embrapa, universidades, a Agência Nacional de Águas e o próprio Serviço Geológico do Brasil. “É uma estrutura pensada para integração com outras plataformas”, completa Mota.
A expectativa é que a plataforma esteja disponível no site da Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina até 2028.