Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina

Proteção e Defesa Civil de SC é protagonista na inclusão de pessoas com Síndrome de Down na gestão de riscos

Articulação, proposta pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, começou com a participação de autodefensores no 2º Simulado Geral de Gestão de Desastres – Foto: Divulgação/SPDC

Aprender sobre autoproteção em caso de desastres é um direito de todos. Com esse entendimento, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SPDC/SC) recebeu, neste domingo (1º), integrantes do grupo de autodefensores da região Sul da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) como ouvintes do 2º Simulado Geral de Gestão de Desastres.

A participação marcou o início de uma articulação institucional por meio do projeto Mobilizadores Climáticos, iniciativa da FBASD que busca inserir pessoas com Síndrome de Down no debate sobre mudanças climáticas, prevenção e resposta a desastres. Esta foi a primeira ação da Federação na área de gestão de riscos em âmbito nacional.

Durante o simulado, os participantes elaboraram o Plano de Emergência Familiar, com definição de rotas de fuga, pontos de encontro e organização de kit de emergência. A atividade reforçou que a gestão de riscos começa no ambiente doméstico, com informação acessível e planejamento prévio. A programação incluiu ainda um tour pela sede, em Florianópolis, com apresentação dos setores de Meteorologia, Hidrologia, Geologia e do Centro de Informação Pública.

Giovana Machado de Medeiros, de Palhoça, acompanhou a visita ao lado da mãe, que também integra o projeto. Interessada por geografia e temas ligados ao clima, ela destacou que a área de monitoramento foi a que mais chamou sua atenção. “Eu gostei muito de aprender sobre meteorologia, sobre o clima hoje em dia e entender como acontecem os deslizamentos”, expôs. Com o conhecimento adquirido, ela contou que se sente mais preparada para se proteger, orientar pessoas em casa e na rua e falar com mais segurança sobre direitos e cuidados em situações de risco.

A participação do grupo reforçou a importância de levar conteúdos de autoproteção às pessoas com deficiência e de adaptar estratégias de comunicação e planejamento às diferentes necessidades. Segundo o biólogo Alexandre Castro, da Associação Pais em Movimento que integra a FBASD, o projeto tem foco específico no diálogo com instituições de segurança pública e Defesa Civil, com recorte voltado a crianças, jovens, adultos e idosos com Síndrome de Down. Ele destacou que a síndrome envolve um conjunto amplo de características, como deficiência intelectual, hipotonia muscular, baixa visão, alterações auditivas e, em alguns casos, transtorno do espectro autista, o que exige que o planejamento de risco considere diferentes formas de inclusão.

Protagonismo catarinense na pauta da inclusão

A escolha de Santa Catarina para iniciar a iniciativa, segundo Alexandre Castro, não foi por acaso. “A Defesa Civil de Santa Catarina é estruturada, tecnicamente qualificada e já desenvolve programas relevantes, como o Defesa Civil na Escola e outros projetos que tratam de inclusão. Então, não tinha como ser diferente”.

Nesta visita, participaram representantes de autodefensorias do Rio Grande do Sul e de outros municípios catarinenses. “A expectativa é que o diálogo iniciado com a Defesa Civil de Santa Catarina sirva como referência para outras regiões, permitindo que a iniciativa seja ampliada e replicada em diferentes estados”, complementou Castro.

Para o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt, a aproximação reforça o compromisso da gestão com uma política pública inclusiva e alinhada aos desafios climáticos atuais. “Incluir pessoas com deficiência no planejamento e nas ações de gestão de riscos é uma responsabilidade institucional. A informação precisa ser acessível e compreensível para todos. Quando promovemos esse diálogo, ampliamos a capacidade de autoproteção da sociedade como um todo”, destacou.

A agenda ocorreu no mês em que se celebra o Dia Mundial da Síndrome de Down, em 21 de março, o que deu ainda mais significado à participação no simulado.

Sobre a iniciativa

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down tem como finalidade reunir associações e movimentos sociais que atuam em favor do desenvolvimento das pessoas com Síndrome de Down, da defesa de seus direitos e da promoção da inclusão escolar, laboral e social.

“Dentro da Federação, o projeto Mobilizadores Climáticos surge diante da intensificação dos eventos extremos associados às mudanças do clima e da necessidade de garantir que as estratégias de prevenção e resposta considerem as especificidades das pessoas com deficiência”, explicou Alexandre Castro. 

Com a participação no simulado, o grupo, assim como a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, dá o primeiro passo em uma agenda que pretende fortalecer a cultura de autoproteção de forma inclusiva, ampliando o acesso à informação e estimulando o protagonismo das próprias pessoas com Síndrome de Down na construção de comunidades mais resilientes.