Como a Defesa Civil confirma a ocorrência de um tornado em Santa Catarina
Processo técnico combina análise de radar meteorológico e avaliação dos danos em campo para garantir uma conclusão segura e fundamentada – Foto: Thiago Kaue/Secom GOV SC
Quando um tornado é registrado em Santa Catarina, a confirmação do fenômeno não acontece de imediato. A Secretaria da Proteção e Defesa Civil (SDC/SC) segue um protocolo técnico consolidado, que combina duas etapas complementares: análise meteorológica e avaliação dos danos em campo. O processo exige tempo e equipe especializada para garantir precisão nas informações.
O tornado é caracterizado por correntes de vento intensas em rotação, com o núcleo em contato direto com o solo. Em poucos minutos, provoca danos severos e concentrados em direções opostas, padrão que rajadas isoladas ou tempestades comuns raramente produzem. Identificá-lo com precisão, portanto, exige uma análise aprofundada.
A primeira etapa é realizada pelos meteorologistas da Secretaria da Proteção e Defesa Civil com base em dados de radares meteorológicos e outras ferramentas de monitoramento, como satélites e estações hidrometeorológicas. O Estado conta com quatro radares, localizados em Joinville, Lontras, Chapecó e Araranguá, capazes de identificar a formação de células com características de rotação, sinal típico de tempestades severas com potencial para gerar tornados. Complementam esse monitoramento 172 estações hidrometeorológicas distribuídas por todo o território catarinense, que registram em tempo real dados de vento e chuva e ajudam a acompanhar o avanço dos sistemas.
Os dados do monitoramento indicam o potencial de tornado, mas não são suficientes para confirmar o fenômeno. A segunda etapa é conduzida pelas Coordenadorias Regionais da Defesa Civil, que vão até as áreas afetadas para mapear os danos, coletar informações locais e registrar imagens aéreas, com drones da Secretaria.
Há um padrão de danos característico de tornados: árvores retorcidas ou arrancadas em sentidos opostos, objetos lançados de forma convergente, uma faixa de destruição bem definida e áreas com danos severos lado a lado de áreas praticamente intactas. Esse contraste é resultado direto da ação de ventos intensos com rotação.
Somente a partir da combinação das evidências meteorológicas com o levantamento estruturado e dos danos em campo é possível analisar, com segurança técnica, a ocorrência de um tornado. Nenhuma das duas etapas, isolada, é suficiente para confirmar o fenômeno.
Defesa Civil descarta ocorrência de tornado em São Joaquim
Na madrugada do último sábado (02), a aproximação de uma frente fria provocou fortes temporais no Meio-Oeste e no Planalto Sul catarinense. A condição havia sido antecipada pela Secretaria Estadual da Proteção e Defesa Civil, que acompanhou o avanço do sistema em tempo real. Em São Joaquim, a intensidade dos danos registrados levou à investigação da possibilidade de tornado, descartada após avaliação técnica.

O responsável pelos estragos no município serrano foi uma Linha de Instabilidade Severa, sistema organizado de tempestades alinhadas que avançou a partir do Rio Grande do Sul durante a madrugada, provocando chuva intensa, vendaval, raios e queda de granizo em alguns pontos.
O radar meteorológico de Lontras teve papel fundamental na análise. As imagens identificaram assinaturas compatíveis com uma supercélula na região de São Joaquim, inserida em um sistema maior organizado na forma de Linha de Instabilidade. Esse tipo de sistema costuma se formar antes ou durante passagens de frentes frias e é capaz de provocar fortes rajadas de vento com potencial destrutivo significativo.
A diferença entre os danos causados por uma linha de instabilidade e por um tornado está no padrão observado em campo. Enquanto o tornado deixa marcas de ventos em rotação, com destruição em direções opostas e faixas bem definidas de impacto, o levantamento em campo em São Joaquim identificou árvores tombadas predominantemente em um mesmo sentido, objetos arremessados de forma dispersa e uma faixa de danos sem caminho bem definido. Esse conjunto de evidências é característico de ventos intensos de caráter linear, o que descarta a ocorrência de tornado.

Como se proteger de um tornado
Antes da chegada de um fenômeno extremo, o primeiro passo é verificar a resistência da estrutura da casa, especialmente do telhado, e retirar objetos que possam cair ou ser arrastados pelo vento. Também é recomendado desligar os aparelhos elétricos e o gás, além de evitar estacionar veículos próximos a torres de energia, árvores ou placas.
Durante o tornado, a recomendação é buscar abrigo imediatamente no cômodo mais interno da casa, longe de janelas. O banheiro costuma ser uma boa opção por ter estrutura mais reforçada e, geralmente, não ter janelas, o que reduz o risco de estilhaços e detritos. Sempre que possível, a orientação é ir para o andar mais baixo e proteger a cabeça com travesseiros, cobertores ou colchões. Quem estiver fora de casa deve deitar em uma vala ou depressão do terreno, afastado de árvores, postes e muros.
Após a passagem do fenômeno, a Defesa Civil orienta evitar o contato com fios caídos e não se aproximar de construções danificadas. O retorno para casa só deve ocorrer quando as autoridades confirmarem que é seguro. Em caso de emergência, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199.
Além das orientações de segurança, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina emite avisos meteorológicos antes mesmo de um fenômeno extremo atingir uma região. Os avisos e alertas são enviados por SMS, WhatsApp e Cell Broadcast. Para recebê-los gratuitamente em tempo real, a população pode enviar o CEP para 40199 ou acompanhar o site defesacivil.sc.gov.br e as redes sociais da secretaria.
Entenda como funcionam os sistemas de alerta por SMS e Defesa Civil Alerta
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