Previsão Climática para o trimestre março, abril e maio de 2026
Gerência de Monitoramento e Alerta – GEMAL
Meteorologista: Caio Guerra e Nicolle Reis
Elaborado em: 27 de Fevereiro de 2025
No 238º Fórum Climático Catarinense, realizado em 26 de fevereiro, foi discutida a previsão de consenso para os próximos meses, com a participação de meteorologistas de diversas instituições de Santa Catarina. Estiveram presentes representantes da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de SC, da Epagri/Ciram e do AlertaBlu, além de profissionais e pesquisadores de instituições de ensino, como o IFSC e a UFSC.
A partir de março, mantém-se a tendência de aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial, consolidando a transição do fenômeno La Niña para condições de neutralidade. Dessa forma, não se espera influência significativa desse fenômeno sobre o clima do estado nos próximos meses. No entanto, as previsões de longo prazo indicam a continuidade do aquecimento no segundo semestre de 2026, com possibilidade de transição para um cenário de El Niño na primavera. Por isso, é fundamental o acompanhamento mensal das atualizações climáticas.
Para o próximo trimestre (março, abril e maio), os modelos climáticos indicam precipitação entre o normal e abaixo da média no Grande Oeste catarinense, com chuvas menos frequentes. No litoral, a tendência é de volumes dentro da média, mantendo-se o risco de episódios de chuva intensa, com acumulados elevados em curto período, especialmente em março, que ainda apresenta características típicas do verão.
As temperaturas não devem alcançar valores tão elevados quanto os registrados nos primeiros meses do ano, tornando-se gradualmente mais amenas, sobretudo nas mínimas. Ainda assim, a previsão aponta para médias acima do normal, prolongando o período de calor. A passagem de frentes frias está prevista ao longo do trimestre, mas as primeiras ondas de frio mais intensas devem ocorrer apenas a partir de meados de maio.

Figura 1: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres. Fonte: Climate Prediction Center (CPC).
COMPORTAMENTO NORMAL
O trimestre composto por março, abril e maio corresponde, climatologicamente, à transição do verão para o outono em Santa Catarina. Esse período é marcado por mudanças graduais no regime de precipitação e temperatura, típicas da mudança de estação.
Março ainda apresenta características do verão, com circulação marítima mais ativa e maior frequência de chuva nas regiões litorâneas. No Grande Oeste, os volumes de precipitação já começam a diminuir em relação aos meses anteriores. No Extremo Oeste, os acumulados ainda podem ser significativos, enquanto nas áreas centrais, entre o Meio-Oeste e os Planaltos, a redução é mais evidente.
Abril marca o início mais consolidado do outono e, climatologicamente, é considerado o mês mais seco do ano no estado. Os acumulados médios de precipitação ficam abaixo de 100 mm na maior parte do território catarinense, refletindo o enfraquecimento da circulação marítima e a diminuição das instabilidades.
Em maio, as instabilidades voltam a se intensificar gradualmente, com leve aumento nos volumes de chuva em relação a abril, associado à atuação mais frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. Esse cenário também favorece maior agitação marítima.
Quanto às temperaturas, março ainda pode registrar períodos de calor intenso, com máximas frequentemente acima dos 30 °C. A partir de abril e, principalmente, em maio, observa-se declínio gradual das temperaturas, em função das primeiras incursões de massas de ar frio mais significativas do ano.

Figura 2: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) fevereiro, (b) março e (c) abril. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
De acordo com o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne 29 anos de dados (1995–2019) e um total de 5.540 ocorrências de desastres, os episódios associados a chuvas mais intensas concentram-se predominantemente entre os meses de setembro e março (Figura 3).
O trimestre composto por março, abril e maio reúne uma parcela expressiva das ocorrências registradas ao longo do ano. Observa-se, no entanto, uma redução gradual desses eventos ao longo do período, com destaque para o mês de abril, que apresenta uma diminuição significativa no número de ocorrências após três meses consecutivos de registros elevados, seguido de um aumento no mês de maio.

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
As ocorrências associadas a vendavais nos meses de março, abril e maio apresentam valores médios, ligeiramente superiores aos observados durante o inverno, mas significativamente inferiores aos registrados na primavera e verão (Figura 4). Esse padrão está relacionado às tempestades de verão, que geralmente provocam vendavais mais localizados, porém intensos.

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.
A ocorrência de enxurradas diminui gradualmente entre março e maio, em relação ao verão, embora ainda sejam significativas. A partir de maio, registram-se os menores valores do ano, padrão que se mantém até agosto. Os volumes mais elevados no início do ano estão associados principalmente às chuvas de verão, que trazem grandes quantidades de precipitação em curtos períodos, e ao padrão de intensificação da circulação marítima, que transporta significativa umidade em direção ao litoral catarinense (Figura 5).

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período é marcado por chuvas rápidas e que podem ser intensas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de alagamentos e enxurradas. Nestes casos, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.