Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina

Santa Catarina se prepara para inverno atípico com chegada antecipada do El Niño

Meteorologistas apontam mais de 80% de chance de estabelecimento do fenômeno entre junho e agosto, com chuvas mais frequentes e episódios de frio menos intensos – Foto: Marco Favero/Secom GOV SC

Santa Catarina deve sentir os efeitos do El Niño mais cedo do que o esperado. O fenômeno, previsto para primavera, está se desenvolvendo com maior rapidez e já deve dar sinais em julho, ainda no inverno. A conclusão foi apresentada no 241º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas e pesquisadores da Secretaria da Proteção e  Defesa Civil de SC, da Epagri/Ciram, do AlertaBlu, do IFSC e da UFSC.

O El Niño é caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico na região próxima à linha do Equador. Esse aquecimento precisa atingir pelo menos 0,5°C acima da média e se manter por vários meses, condição que interfere diretamente na formação de nuvens e na distribuição de chuvas na região tropical do Pacífico.

A formação do fenômeno entre o inverno e a primavera deste ano já é consenso entre os especialistas do Fórum, com mais de 80% de chance de se estabelecer no trimestre de junho, julho e agosto. Ao longo desse período, ele deve ganhar força, com expectativa de atingir forte intensidade na primavera, quando as anomalias no Oceano Pacífico Equatorial devem superar 1,5°C.

De forma geral, o El Niño provoca chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas do que o esperado para o período. Neste inverno, isso significa precipitações mais frequentes e menos frio do que o habitual para a estação. O período de maior impacto no Sul do Brasil, entretanto, ocorre entre setembro, outubro e novembro, quando as chuvas tendem a aumentar de forma ainda mais expressiva.

“É importante destacar que um El Niño forte não implica, necessariamente, na ocorrência de eventos extremos. No entanto, a atmosfera fica mais favorável à ocorrência desses eventos”, afirma a meteorologista Nicolle Reis, da Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.

O que esperar nos próximos meses

Para os próximos meses, a tendência é de mudança gradual. Em maio, as chuvas seguem irregulares e com volumes ainda abaixo do esperado para o período, mesmo com a passagem frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. 

A virada de tempo se torna mais evidente a partir de junho, com aumento da frequência de instabilidades em Santa Catarina. Em anos típicos, os acumulados para junho e julho variam entre 100 mm e 150 mm na maior parte do estado, superando esse patamar no Grande Oeste. Para este ano, as projeções indicam chuvas mais frequentes e temporais mais intensos, com volumes que podem ultrapassar esses valores em grande parte do território catarinense. Esse cenário ocorre em um contexto de evolução do El Niño, que passa a atuar de forma mais perceptível ao longo do inverno.

Quanto às temperaturas, a partir de maio ocorre um declínio gradual com as primeiras incursões de massas de ar frio mais significativas do ano. Junho tende a ser um dos meses mais rigorosos, com mínimas abaixo de 10°C frequentes e máximas que costumam permanecer próximas dos 20°C. Ao longo deste trimestre, entretanto, os episódios de frio devem ser menos frequentes e mais passageiros do que o habitual.

Defesa Civil intensifica ações de prevenção e monitoramento

Foto: Thiago Kaue/Secom GOV SC

Diante do cenário previsto com a formação do El Niño, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina intensificou as ações de preparação em todo o estado. O Vale do Itajaí, região mais afetada pelo fenômeno em 2023, conta hoje com três barragens de contenção de cheias em condições de operação. A Barragem Sul, em Ituporanga, passou por revitalização completa, com substituição de equipamentos, modernização e automação do sistema de acionamento.

A rede de monitoramento também foi expandida e conta atualmente com 172 estações meteorológicas e hidrológicas distribuídas pelo território catarinense, além de quatro radares em operação. O quadro técnico foi reforçado com a ampliação de 25% na equipe de meteorologistas e a incorporação de um profissional adicional ao serviço de previsão hidrológica.

Na área de capacitação, coordenadores regionais participaram de treinamentos em Sistema de Comando em Operações e gestores municipais receberam formação em Gestão de Desastres, garantindo que as equipes locais saibam como agir diante de situações de emergência. Santa Catarina realizou ainda duas edições de simulados gerais, em maio de 2025 e março de 2026, para testar protocolos, sistemas de comunicação e a resposta integrada entre os diferentes níveis de governo.

No dia a dia, a Defesa Civil estadual atua em conjunto com os municípios na limpeza de córregos e sistemas de drenagem, no manejo de árvores em áreas de risco e em vistorias em pontos vulneráveis. Os Planos de Contingência municipais também são atualizados de forma contínua, orientando a resposta local quando os desastres chegam.

Nos próximos meses, o Fórum Climático Catarinense segue monitorando a evolução do El Niño e elaborando previsões para orientar a preparação do Estado. A população também deve fazer sua parte, acompanhando as atualizações das condições do tempo e seguindo as orientações divulgadas nos canais oficiais da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.

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