Previsão Climática para o trimestre junho, julho e agosto de 2026
Gerência de Monitoramento e Alerta – GEMAL
Meteorologistas: Nicolle Reis
Elaborado em: 29 de Maio de 2025
No 242º Fórum Climático Catarinense, realizado em 28 de maio, meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram, juntamente com profissionais e pesquisadores de instituições de ensino, como o IFSC e a UFSC, analisaram a previsão climática para o próximo semestre em Santa Catarina.
O cenário de formação do El Niño vem se consolidando nos últimos meses e a previsão indica cerca de 90% de chance do fenômeno se estabelecer ao longo do inverno de 2026 (Figura 1). Além disso, a atmosfera começa a apresentar sinais mais claros de resposta ao aquecimento oceânico, reforçando a tendência de consolidação do fenômeno neste ano
De acordo com a atualização mais recente divulgada pelo Centro de Previsões Climáticas da NOAA (CPC/NOAA), o El Niño continua se intensificando nos próximos meses, e as projeções indicam que o fenômeno deve alcançar intensidade forte a muito forte entre a primavera e o verão de 2026/27.

Figura 1: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres. Fonte: Climate Prediction Center (CPC).
Em Santa Catarina, os impactos do El Niño tendem a ocorrer de forma gradual ao longo do inverno. Embora, climatologicamente, esta seja uma estação mais seca no estado, a influência do fenômeno favorece o aumento da frequência das chuvas e da atuação de sistemas meteorológicos associados à instabilidade atmosférica. Ainda assim, esse aumento não ocorre de maneira imediata.
O mês de junho tende a iniciar com períodos de tempo firme, mas a previsão indica um aumento da instabilidade na segunda metade do mês, resultando em volumes de precipitação próximos da média climatológica para o período (Figura 2-a). As temperaturas também devem apresentar comportamento típico de inverno, com a atuação frequente de massas de ar frio e episódios de queda acentuada nas temperaturas.
A partir de julho e agosto, os sinais da atuação do El Niño devem se tornar mais evidentes. Embora esses meses façam parte do período menos chuvoso do ano no estado, principalmente agosto (Figura 2-c), a influência do fenômeno aumenta a frequência e o volume das chuvas, que tendem a ficar acima da média para o período. Com isso, aumenta também o risco para ocorrências associadas às condições meteorológicas, alagamentos, inundações e deslizamentos, especialmente em episódios de chuva persistente.Além disso, durante esses meses, as temperaturas tendem a permanecer acima da média climatológica. Isso não significa ausência de frio, mas sim períodos de frio menos prolongados e temperaturas mais amenas em relação ao que normalmente se observa nesta época do ano.

Figura 2: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) junho, (b) julho e (c) agosto. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
De acordo com o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres, observa-se que os eventos associados a chuvas mais intensas concentram-se predominantemente entre os meses de setembro e março (Figura 3).
O trimestre composto por junho, julho e agosto, por ser menos chuvoso climatologicamente, apresenta um número menor de ocorrências relacionadas às condições meteorológicas, embora ainda registre episódios relevantes.

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
As ocorrências associadas a vendavais nos meses de maio, junho e julho situam-se em níveis baixos, significativamente inferiores aos registados na primavera e no verão (Figura 4). Esses eventos estão, em geral, associados à atuação de ciclones e frentes frias, que favorecem a ocorrência de temporais capazes de provocar vendavais localizados, porém intensos.

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.
A ocorrência de enxurradas apresenta o mínimo anual (Figura 5), por conta da atmosfera mais seca nesta época do ano. Os eventos de enxurradas voltam a ficar mais frequentes a partir de agosto.

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas intensas.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
Em casos de chuva intensa, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.