NOTA METEOROLÓGICA SDC/SC E EPAGRI 28/08 – Previsão Climática para o trimestre, setembro, outubro e novembro de 2026
Nesta sexta-feira (28) foi realizado o 245º Fórum Climático Catarinense, no qual meteorologistas, incluindo os profissionais da Defesa Civil de Santa Catarina e da EPAGRI/CIRAM, analisaram os cenários climáticos previstos para o fim do inverno e a primavera deste ano.
O monitoramento da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial mostra que as águas seguem aquecidas e devem continuar aquecendo nos próximos meses. As projeções dos modelos mostram a persistência do aquecimento em grande parte da região central e leste do oceano (Figura 1), reforçando o cenário de intensificação contínua do El Niño ao longo do segundo semestre.

Figura 1. Previsão das anomalias de temperatura da superfície do mar (°C) no Oceano Pacífico Equatorial, para os meses de setembro, outubro e novembro segundo o modelo ACCESS-S2.
Segundo a NOAA, a probabilidade é de 93% de o fenômeno atingir intensidade muito forte neste trimestre (Figura 2). Além disso, as projeções indicam a manutenção do El Niño, pelo menos, até o outono de 2027.

Figura 2: Probabilidade de intensidade do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres (atualização de agosto). Fonte: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC).
Normalmente, os meses de inverno são menos chuvosos em Santa Catarina. No entanto, em 2026, a atuação do El Niño contribuiu para um cenário diferente do esperado para a estação, com registros de volumes de chuva acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.
A preocupação aumenta com a chegada da primavera. Os meses de setembro, outubro e novembro marcam a transição para uma época naturalmente mais chuvosa, com aumento da frequência e da intensidade dos sistemas meteorológicos que provocam chuvas e tempestades.
Dessa forma, a combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño. É consenso entre os modelos meteorológicos volumes de chuva acima do normal para o trimestre, principalmente nos meses de outubro e novembro, sendo esperada uma maior frequência de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, especialmente durante episódios de chuva intensa e persistente.

Figura 3: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) setembro, (b) outubro e (c) novembro. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
Diante desse cenário, o trimestre deve ser acompanhado com atenção redobrada, com intensificação do monitoramento das condições meteorológicas e dos acumulados de chuva, especialmente durante a atuação de sistemas capazes de provocar chuva intensa e tempestades severas.
Em relação às temperaturas, no mês de setembro ainda podem ocorrer avanços de massas de ar mais frias, típicas do fim do inverno, mantendo as temperaturas próximas à média. No entanto, no decorrer do trimestre, os episódios de frio devem ser menos frequentes, e a tendência é de temperaturas dentro à acima da média no período.
A condição de tempo mais fechado também contribui para uma menor amplitude térmica, devido à maior presença de nebulosidade, que dificulta a variação das temperaturas.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
As figuras abaixo mostram o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres.
Na Figura 4, pode-se observar um aumento no número de ocorrências registradas no mês de setembro. Esse comportamento é esperado, já que, normalmente, os meses de inverno apresentam menos chuva e, consequentemente, menos impactos relacionados às condições meteorológicas.

Figura 4. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
Esse aumento também é mostrado nas Figuras 5 e 6, que mostram o número de ocorrências relacionadas a vendavais e enxurradas, respectivamente. Ambas apresentam o mínimo anual nos meses de inverno, mas aumentam significativamente na primavera. Neste ano, com o El Niño atuando com maior intensidade na primavera, o aumento nas ocorrências pode ser ainda mais perceptível.

Figura 5. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.

Figura 6. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas.
Em casos de chuva persistente, com altos volumes, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.